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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eu e as madeixas de mamãe

Quando eu era pequena minha mãe tinha o cabelo bem comprido e eu adorava brincar de penteá-lo de noite. Ficava horas, em minha opinião de criança, sentada atrás dela penteando suas melenas quase negras e lindas. Eu sempre detestei meu cabelo cacheado e armado desde pequena queria ter o cabelo lindo de mamãe.

De dia ficava na casa da minha avó paterna, pois meus pais trabalhavam. Um belo dia minha mãe foi me buscar e apareceu com o cabelo bem curto, tipo joãozinho. Até hoje eu não consigo esquecer o choque que foi vê-la daquele jeito. Gritei, chorei, sai correndo e fiquei uns bons dias sem olhar para ela, pois aquela não era minha mãe linda com o cabelo lindo, era uma estranha. Aquilo para mim era um crime, um pecado, uma heresia, como podia alguém me tirar aquele cabelo. Na época eu tinha 5 anos, pois meu “querido, idolatrado, salve salve” irmãozinho ainda não tinha vindo ao mundo. Minha mãe deve ter ficado uns 4 anos de cabelo bem curto e depois disso o máximo que deixou crescer foi pouco abaixo dos ombros, mas até hoje sinto saudades das madeixas longas e volumosas. A cor também mudou, hoje estão loiras para disfarçar os cabelos brancos.

Há duas semanas minha mãe teve um ataque psicótico e resolveu cortar o cabelo curto, pois não agüentava o calor. Eu quase tive a mesma reação de 23 anos atrás. Não ficou legal e eu não consegui esconder isso. Sou uma filha má por isso, por não mentir para ela?

Eu definitivamente não gosto de ver minha mãe de cabelo curto. Trauma de infância?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O prazer da leitura e a emoção de escrever

Ler e escrever são paixões antigas para mim. Adoro ler até placas e bula de remédio. Quando o site da produtora foi refeito foram colocadas fotos de cada funcionário com as nossas descrições. Meu chefe me perguntou o que eu gostava de fazer e a resposta foi simples: ler e escrever. Ele não acreditava que era só isso, “você é jovem deve gostar de fazer mais alguma coisa no final de semana”. Sim gosto deve ver meu namorado e de ler e escrever.

Eu devoro livros desde a 5ª serie quando a Quilza, minha melhor amiga na época, me apresentou a maravilha que era a biblioteca da escola. Lia praticamente 2 livros por semana, mesmo com todas as lições de casa e trabalhos. Estudar sempre foi um hábito para mim também, não uma obrigação. Sempre fui a caxias da sala, a CDF, a rata de biblioteca, a menina que pedia livros de presente e nunca ganhava, isso me frustra até hoje.

Eu já disse que gasto praticamente 4 horas do meu dia lendo livros por causa do transito, claro se descontar os cochilos e as trocas de condução sobram 3 horas por dia quando comento os livros que li as pessoas me olham espantadas e sempre dizem, nossa você devora livros.

Isso é pecado? É defeito? Estou cometendo algum crime grave ao ler tantos livros assim?

Às vezes me sinto um ET, uma aberração.

Esses dias meu namorado me perguntou como conheço tantas palavras difíceis e diferentes, como posso saber de tantos assuntos. Minha resposta foi direta: eu leio muito. Ele se espanta muito com meu vocabulário, diz que não sou uma pessoa normal, às vezes pareço um dicionário que o assusta com minha cultura.

Sei que assusto muitas pessoas com o que sei, com o que acumulei em anos de leitura, mas ler e escrever me mantém viva, desperta minha mente, funciona como minha terapia.

Na faculdade alcancei meu ápice e percebi que era boa nisso. Minha maior alegria era ouvir elogios de professores aos meus textos, mas o que me deixou mais alegre ainda foi quando pedi a dois professores que conferissem meu TCC. Um deles, roteirista e redator me disse que estava encantado com meu texto e ortografia bem aplicada, idéia bem explicada coesa. O outro, redator e corretor da Folha de São Paulo, me disse que eu estava de parabéns. Quase chorei de felicidade.

Na antiga produtora fazíamos constantemente transcrições de depoimentos e sempre era eu a escolhida para formatar e conferir textos, adoro formatação de textos, tenho problemas mentais.

Mantenho 2 blogs diferentes, esse sobre aleatoriedades da minha mente insana e perturbada e outro sobre frescuras e besteiras de mulher.

Já pensei em escrever um livro ou livros, mas minha mente é tão volúvel que me perco no meio das idéias, por isso esse blog. Com certeza um dia ainda realizarei esse sonho, esse embrião incubado em minha mente vai ser gerado e nascerá.